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sábado, 25 de julho de 2020

Conversa com a avó.


Lembro-me sempre, e nunca vou esquecer-me da última conversa que tive com a minha avó. Ela morreu aos 94 anos e muito lúcida.

Falávamos de trivialidades quando a conversa veio para um tom mais filosófico:

A minha avó como a grande maioria desse país foi imigrante. E deixou a sua terra natal, Portugal, ainda menina as 13 anos.

Ela sentiu medo, muito medo de vir para uma terra nova, desconhecida para ela. Mesmo estando ao lado de sua família.

“Tive medo, mas tive que vir” – me disse ela. E lá ela deixou amigos, parentes, sabores e aromas.

“Não tinha outro jeito, tinha que acompanhar os meus pais”

Ela não me pareceu ressentida.

“foi um medo grande, inclusive um medo em entrar no imenso navio e por dias somente ver o mar”.

“Eu tive que enfrentar esse medo, e comecei a apreender que não vida não adianta muito a gente ter medo, o que tiver que acontecer vai acontecer mesmo”.

“Eu estava com medo, o meu pai não. Acho que ele veio sem medo por que enfrentou o medo de deixar a sua terra. Ele tinha mais medo que morrêssemos de fome. É que naqueles dias a Europa estava em guerra, todo mundo sofria e o Brasil parecia o paraíso”.

“E fui apreendendo que podemos sentir medo, mas medos após medo às coisas vão acontecendo”. E então faça o que tem que ser feito o que desejar. Medo à gente vai sentir mesmo. E daí a vida não tá nem ai para os nossos medos. E com ou sem medo, viemos para o Brasil e aqui eu me casei, crie 10 filhos netos e fui feliz. Apreendi que medo é apenas medo.

E com o tempo em minha vida, as palavras de minha avó foram se confirmando. Besteira ter medo. Temos que seguir enfrente.


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domingo, 19 de julho de 2020

Az vezes "patinamos" num situação ruim

Porque é para muitos tão difícil se livrar de uma situação ruim?

É uma pergunta que devemos fazer, ou se já não a  fizemos em uma determinada época de nossas vidas.
Eu me fiz essa pergunta num momento de minha vida em que não conseguia, me livrar de um relacionamento duro, seco, escuro. Não sei dizer de quem é a culpa: Minha ou dela; de Júpiter que estava na casa astral de Vénus; Do aquecimento Global. Sei-lá! Mas o fato era que não nos dávamos bem.  Quando não era alguma discussão era aquela indiferença do dia a dia, das pequenas coisas que nos irrita,  nos magoa e transforma a vida da gente num composto químico amargo, sem cor e aroma.

E por não conseguir me dar bem com ela, eu levava esse  caos para as demais áreas de minha vida. A minha família, os meus amigos, trabalho, e até mesmo os desconhecidos na rua, na filas do supermercado eram vitimas dessa  situação ruim que eu vivia. Não era justo comigo, não era justo com todos.  Não tinha paciência com coisas simples. Me irritava com pessoas legais e estranhas e até mesmo perdi a gentileza e algumas vezes, terrivelmente o respeito com o outro.

Até que tomei a atitude de dizer que não dava mais e terminamos. O que demorou  muito e   Acho que era  o que ela queria também. 
E dias depois eu me perguntei, primeiramente como fui deixar a situação ir até onde foi. E depois o porque não me livrei desse  relacionamento antes.

A primeira resposta veio daquele sentimento de gostar que temos por alguém e acreditamos que vamos  dar certo em algum momento.  E havia também o meu orgulho de homem, imagine só uma mulher me dando o pé na bunda!  São os conceitos que herdamos e não nos esforçamos nem um pouco em nos livrar dele. Depois a segunda resposta era que não queria me livrar daquele relacionamento porque ele me era cômodo e confortável .

Mesmo com todas as amarguras e estranheza eu sabia como lidar com ela, e mesmo com toda a tristeza estávamos juntos e parti para uma nova etapa de minha vida sem ela, parecia algo impossível, distante, inseguro e que me dava medo até aquele momento.

Somente quando eu senti que não suportava mais, e que a insegurança de se sair de um relacionamento que apesar de tudo se conhece bem o outro, é que pude me libertar . Não foi fácil claro, mas me deu a parâmetros do que é bom para mim ou ruim. Eu parti para novos relacionamentos, sem medo de arriscar o novo.

Encontrei outros relacionamentos  iguais ao que tive, e outros que me acrescentaram muito. Até que romper com a insegurança de se sentir  bem fora de um relacionamento ruim, me fez encontrar a melhor companheira de minha vida e juntos estamos descobrindo o que é gostar mesmo.

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O Primeiro encontro e o medo do outro.

  Um encontro, um novo emprego, um novo ser que entra em nossa família, sempre nos trás um pouquinho do medo desse ser novo que entra em nos...